Fleury, você é meu filho?


Relações entre as pessoas sempre foram difíceis desde do início da humanidade. Discordâncias sempre sugiram em relação à visão e à opinião de um ou de outro em relação a diversas coisas. Afinal somos todos diferentes e mesmo com a educação que recebemos do nossos pais, tentamos acomoda-lá com a nossa voz interior.Recebi uma educação bem cristã e católica. Apesar dos meus pais serem protestantes, eu me tornei católico quando fui estudar num colégio católico. Não passava em frente de uma igreja católica sem fazer o sinal da cruz. De uns tempos para cá, comecei a perceber que eu não acreditava mais na existência de « Deus ».

O processo de parar de desacreditar em » Deus » é ligado a vários fatores. Um desses fatores foi a faculdade de medicina. Em 2012, ano em que entrei na faculdade, tive um primeiro choque ao estudar com cadáveres, coisa sagrada na educação que eu recebi. 

Acreditava que era possível curar doenças só rezando, que a cura da AIDS era possível , que tumores poderiam ser curados pelas orações. Que ir bem numa prova não dependia de oração, mas sim de ter estudado. Que milagres não acontecem. Que doença não é uma maldição. Que a mulher não saiu das costelas do homem, pois o estudo da reprodução está aí para explicar isso. Que ninguém é feito um para o outro. Que fenômenos naturais como terremotos podem ser explicados. Não consigo mais imaginar que existe vida após a morte e que existe o dia certo da morte de cada um. Se um paciente parou e depois voltou à vida, não é um milagre, é porque o médico fez massagem cardíaca. Não acredito mais no destino, a nossa vida é um combo/variedade de decisões e oportunidades. Passei a acreditar mais em mim do que em forças exteriores.

Um domingo, meus pais me ligaram e me perguntaram se eu tinha ido para missa aquele dia. 

-Eu disse que não. Disse que não acreditava mais em Deus. 

Essa resposta os deixou bastante chateados.
 
– Eles então me perguntaram por quê eu estava dizendo isso. 
– Eu os perguntei se lembram que me falaram que a igreja foi levada na África na perspectiva de nós acalmar, nós dominar e nós colonizar? 
– Responderam que sim. 
– E eu continuei perguntando por quê mesmo que tenham me dito isso ainda são cristãos. 
– Me responderam que falaram isso, mas acreditam em Deus e baseiam-se na Bíblia ….. 
– Eu respondi se poderíamos ter essa conversa num campo neutro sem se basear na Bíblia porque eu preciso que me convençam. 
– A Minha mãe disse que eu tinha que aceitar e que ela como mãe sabe o que é melhor para mim. 
– Disse que é uma decisão pessoal minha e que eu preciso pensar. Se eu for voltar a acreditar em Deus/deus , voltarei. Falei também do fator que foi a faculdade de medicina.
– A minha mãe se irritou e disse : Você está irreconhecível, meu filho. Você mudou muito! O que está acontecendo com você? Não parece mais o Fleury que eu conheço e que queria ser padre. 

– A vida tem dessas coisas, mãe 

Ela ficou 1 mês sem falar comigo. Depois me ligou e perguntou se eu ainda estava pensando do mesmo jeito

– Eu disse que sim
Ela ficou mais duas semanas sem falar comigo. Quando me ligou de novo ela me perguntou se eu ainda estava com o mesmo posicionamento.
– Eu disse de novo: sim
– Ela: hummm

Grandes filósofos já pensaram sobre a Existência de deus/Deus e sobre a influência da existência de deus/Deus. » mas então, o que seria do ser humano sem deus/Deus e sem imortalidade? Tudo é permitido, consequentemente tudo é lícito? » disse Fédor Dostoïevski, a preocupação dele está em relação à moral da sociedade. A ideia da existência de Deus/ deus está muito ligado a nossa moral, ao policiamento do que fazemos. Pode até ser importante dar uma educação cristã ao filho enquanto ele estiver novo, mas seria bom deixar ele pensar sobre o que ele acha quando ele for um pouco mais velho. Para Ludwig Feuerbach, na sua tese apresentada em: « A Essência do cristianismo » – ele disse que a ideia de deus/Deus foi criada pelo ser humano. Platão diz que a ideia de Deus/deus é a ideia do bem. Segundo o filósofo Anselme » representamos deus de tal maneira que nada poderia ser maior e perfeito », é como se estivéssemos construído um ser sem os defeitos que nós seres humanos temos. Sébastien Faure diz que o perfeito não pode gerar o imperfeito, o que quer dizer que não fomos criados por Deus/deus. Segundo Kant, Deus/deus e a imoralidade humana são hipóteses moralmente necessárias, questões de fé racional. 

Continuarei pensado até definir uma resposta para minhas dúvidas, mas se Deus/ deus existe realmente, como diz as religiões muçulmana e católicas, ele é misericordioso e me perdoaria .

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2 réflexions au sujet de « Fleury, você é meu filho? »

  1. A reblogué ceci sur O Canal Afroet a ajouté:
    Uma reflexão a respeito da existência e da religiosidade bastante interessante, mas que ignora alguns fatos importantes na história das religiões e do próprio homem em si, todavia vale a pena ler e refletir…. Pois é sempre bom fazermos uma reflexão honesta a respeito desses assuntos. Também é importante lembrarmos que a humanidade ou seja o homo sapiens tem uma história bastante extensa ao passo que as religiões se formos fazer uma comparação é um fenômeno recente. Outra coisa que não devemos jamais é esquecer que o Egito é em África e muitas das coisas que são atribuídas hoje aos ocidentais surgiu primeiro em África, inclusive os primeiros tratados de medicina foram escritos nesse continente por Imhotep, mas como disse anteriormente é uma boa reflexão…

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  2. Também fui criada numa família cristã, e inclusivamente fui baptizada na Igreja Católica ainda em criança (devia ter uns 4 ou 5 anos). Tanto o meu pai como a minha mãe vêm de famílias muitos religiosas e ambos foram catequistas quando eram adolescentes.

    Pois bem, apesar de religiosos eles sempre foram bastante « moderados » na sua abordagem, motivo pelo qual já frequentei escola dominical de Igreja Evangélica. Até que percebi que aquela vida não era para mim (quando tinha uns 11 ou 12 anos).

    E durante a adolescência fui descobrindo por mim mesma aquilo que era « Deus », « pecado », « milagre », etc.. E ainda tenho muitas dúvidas quanto a isso, mas o que me levou a sair da Igreja foi sobretudo o facto de a Igreja ser uma instituição criada por homens que tal como todos nós, interpretam as palavras de Deus conforme lhes convém para proveito próprio. Os líderes religiosos se comportam como se fossem eles próprios Deus. Fazem juízos de valor e criam negócios dentro das Igrejas para geraram lucro.

    Eu acho que foi isso sobretudo que me afastou de « Deus.. ou melhor, que me afastou da Bíblia.

    Aimé par 1 personne

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